Jovem pratense é apaixonado pelo Curso de Ciências Físicas e Biomoleculares


Encontrar, persistir e mudar de planos, mas nunca desistir dos sonhos. Assim é a história de Jansen Caik Ferreira Freitas, de 22 anos, ingressante em 2019 na graduação, no Curso de Ciências Físicas e Biomoleculares do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP).

Originário de Prata, cidade do interior da Paraíba, Jansen cresceu em meio às liberdades e tranquilidades da cidade pequena, onde passou boa parte da infância e adolescência. O cotidiano na terra-natal, entretanto, interrompeu-se em 2013 com a mudança da família para o Rio do Janeiro. “Logo após o término do meu primeiro ano do ensino médio, minha mãe decidiu que nos mudaríamos para Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. Ela queria ficar mais próxima de meus irmãos, que moravam lá, então fomos ela e eu – ela foi primeiro, e eu, logo depois”, relembra Jansen a mudança para a cidade fluminense.

Finalizado o ensino médio em 2015 e ainda em Angra, Jansen não tinha ideia de qual profissão exercer. “Durante o período que passei na escola, me interessei por medicina, mas não tinha nenhum curso definido na minha cabeça, não sabia o que queria”, relata sobre seu período de indecisão. “Comecei naquele ano, então, a servir na Marinha. Queria ver como era, saber mais sobre o que se faz lá e, quem sabe, tornar aquilo minha profissão. No final das contas, a Marinha foi muito importante para decidir aquilo que queria fazer”, comenta. Em um dos momentos, servindo, Jansen prestou socorro a um homem que estava prestes a se afogar. “Eu senti a adrenalina do momento e toda aquela euforia de ajudar, salvar a vida de alguém. Foi depois disso que o interesse pela área médica surgiu e eu decidi prestar medicina”, afirma.

Motivado pelo recém descoberto sonho e na companhia dos amigos, Jansen ingressou em um cursinho pré-vestibular da cidade, em 2016. “Alguns amigos falaram sobre fazer o cursinho preparatório, mas muitos desistiram, até que só sobrou eu. Na época, eu trabalhava para bancar a mensalidade do cursinho em um colégio particular de Angra e tive um grande baque. Durante as aulas, os professores comentavam sobre conceitos dos materiais e todos – exceto eu – pareciam entender ou ter a mínima noção do que se tratava. Foi quando eu percebi que teria que estudar muito se quisesse acompanhar”, diz Jansen. Já mais maduro, o estudante decidiu estudar por conta própria em 2017 e 2018, com o auxílio de plataformas online. “Foi um período importante para criar disciplina e um ritmo de estudos, coisa que eu não tinha consolidado até então”, revela.

O vínculo de Jansen com o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) surgiu portanto, de maneira inesperada. No início de 2019, consultando as vagas disponíveis no Sistema de Seleção Unificada (SISU), o estudante deparou-se com a graduação no Curso de Ciências Físicas e Biomoleculares – única em todo o Brasil – do IFSC/USP, e curioso com o nome pesquisou um pouco mais sobre a grade curricular do curso. “Eu vi que com a graduação [em Ciências Físicas e Biomoleculares] eu poderia fazer uma extensão para a área médica. Gostei da grade curricular, achei muito interessante e resolvi arriscar”, conta Jansen, que afirma não ter abandonado o sonho de se formar médico. “Eu pretendo terminar o curso e talvez entrar em medicina depois, ou tentar uma especialização com ênfase na área da saúde. Eu não quero só ser médico, quero poder ajudar as pessoas, seja na pesquisa ou diretamente”.

Quanto a vinda para o interior paulista, Jansen afirma não sentir grandes impactos pela distância da família. “Mesmo em Angra eu já não passava tanto tempo com minha família. Eu ficava no meu quarto o dia todo, estudando, e só via minha mãe no final da tarde quando ela chegava do trabalho. De certa forma, eu me acostumei a ficar sozinho”, menciona Jansen, que destaca ainda o apoio da mãe. “A minha mãe me deu muita força para vir. Todos, na verdade. Eu expliquei sobre o que se tratava o curso e ela ficou muito empolgada. Como já disse, vir para São Carlos e morar sozinho não foi difícil, mas claro que é muito ruim ficar longe da família. Às vezes me dou conta que eles não estão aqui comigo e sinto muitas saudades”, revela.

Sobre o Instituto de Física e a trajetória universitária, Jansen destaca interesses e expectativas que traz para os anos de graduação. “Tenho muito interesse em entrar para a Atlética. Jogo tênis de mesa, pratico jiu-jitsu e basquete, então espero poder jogar em alguma destas modalidades pela universidade. A prática regular de exercícios físicos foi algo bem marcante durante a minha preparação para o vestibular e sei que na graduação não será diferente: me ajuda a espairecer”, comenta o estudante, sobre o papel da atividade física, em especial, meditação guiada e corrida, como mecanismos terapêuticos. “Além disso, quero participar como puder no cursinho do CAASO. Não acredito que já esteja preparado para dar aulas ou monitorias, mas quero colaborar ativamente no futuro. Eu já passei no vestibular, está na hora de contribuir para o ingresso de outros”, conclui.
Embora ingressante recente, o futuro acadêmico do jovem tem caminho bem delimitado. Conquistado pela área médica, Jansen pretende seguir dentro da academia e tornar-se um pesquisador na área da saúde. “Quero seguir carreira acadêmica, com ênfase no campo médico. Um dos grupos de pesquisa de meu interesse aqui no IFSC/USP é o grupo de Nanotecnologia. Gostaria de desenvolver algum projeto de pesquisa no grupo”, revela Jansen, que quando questionado sobre possíveis temas, revela interesse pela análise das causas do envelhecimento e doenças degenerativas do sistema nervoso. “São temas que despertam muito a minha curiosidade”, explica.
Agora, para o primeiro ano da graduação, o foco do ingressante é direcionado à construção de boas bases e adaptação ao curso e à cidade: cabe ao paraibano colher os frutos de anos de esforço, que o motivam a compartilhar os resultados da experiência. “Acho que para quem veio de escola pública, com um ensino ruim, muito esforço é fundamental. Tem quem desanime durante o caminho e desista. Acho que o mais importante é isso, não desistir”, aconselha Jansen aos futuros calouros e a seus colegas. “Sempre tem gente para te desmotivar enquanto você está estudando para passar, mas não se concentre em falas negativas. Estudar é difícil, não é tão fácil quanto parece”, finaliza.
(Entrevista conduzida por Carolina Falvo / Superv. Rui Sintra)
Assessoria de Comunicação – IFSC/USP

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