A MORTE SEVERINA…

Por Zelito Nunes

Esse camarada nasceu e foi criado numa terra de pouca chuva e pouca água nos Cariris Velhos na Paraíba, pobre, analfabeto e “doido” não lhe restou outra opção que não fosse um “galão” que logo e muito cedo empunhou pra ganhar a vida abastecendo a pequena vila da Prata.

Lá pelo começo dos anos sessenta a vila virou cidade e ele continuou com seu galão sobre os ombros vendendo a pouca água que o também pequeno açude represava, labuta que muitas vezes entrava pela noite escura percorrendo a passos curtos um caminho que só ele conhecia e enxergava .

Era comum encontrar a sua pequena e esquelética figura se movendo entre o território das águas e o dos potes, num gingado que lembrava o dos jangadeiros, pra tornar mais leves aquelas duas latas de querosene, presas por correntes de arame a uma vara curva que chamavam de “pau de galão”.

Tempos depois, a cidade cresceu, veio a água encanada e o seu trabalho perdeu a razão de ser.

Aí ele parou e foi correr e jogar pedras que nunca acertavam o alvo que eram os moleques que mexiam e zombavam dele.

Alegre divertido e “sem perder a ternura jamais” foi-se embora num caminho sem volta o nosso Severino Doido.

Deixando um vazio em quem desde menino com ele conviveu.

Seu galão, com latas enferrujadas, permanece pendurado em alguma parede da nossa feliz infância naquele lugar.

Que a Mãe Natureza lhe reserve um lugar com águas cristalinas e flores coloridas e perfumadas.

Assim como foi a sua humilde e terna alma…

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